quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

ARTE

Boi Tungão

ARTE

Cap. Corisco, vingador de Lampião

Poema

Um dia por certo

Um dia, se a sorte me sorrir,
Eu tiro na loto e, por certo,
Compro um sítio velho
Lá pras bandas de Acarí.
E vou criar gado, plantar capim
Lá pros lados de Caicó
E talvez enrique que só
Lá no pé daquela serra
Aí vou ser feliz na minha terra,
Meu jardim do Seridó.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

CANGAIO

POEMA

Ele dizia...

Ele dizia que sempre ouvia
Um canto de madrugada
De um galo invisível
Lá na pedra da amurada,
Pois que aquela mais comprida
Era uma pedra encantada.

Ele dizia que sempre via
Lá na beira da estrada,
Num cruzeiro que lá havia,
Uma alma condenada
Que á todos aparecia
Pedindo sua morte vingada.

Ele sempre dizia que sabia
D’uma botija enterrada
La na rua da igreja,
Nos alicerces d’uma casa.
Um tesouro muito antigo
Que o próprio Diabo velava.

Tudo isso ele sempre dizia,
Mas eu não mesmo ouvia nada,
Ah esse medo velho besta
Que eu tinha de ver alma!

domingo, 20 de novembro de 2011

Soneto

DEI’STAR
Dei’star como está assim
No meio da casa os meus trapos
Feito confetes espalhados
E tudo cheirando sujo.

Esta bagunça que sou,
Dei’star que eu mesmo a faço!
Não venhas juntar os pedaços
Dos sonhos que achavas absurdos...

Não tenho dúvidas.
Tenho sim, são muitas,
Muitas respostas se atrapalhando.

E esta bagunça cercada
De desentenderes idiotas
Que nós sem querer alimentamos.

Soneto

MEIO DIA EM PONTO
As redes valseiam suas varandas serenamente
No alpendre silencioso da casa,
O ar quente passeia tranquilo na praça
E um galo canta tão longe, quase ausente...

No meio do tempo o sol quente
Espanta as sombras vagueabundas,
Nenhum menino sequer no meio da rua
Onde só o silêncio canta solenemente.

A velhice, sentada à sombra do alpendre,
Embala pacientemente a vida corriqueira
Cesteando o almoço c’ua barriga cheia;

A juventude, dentro de casa, num pé e noutro,
Esperando que o tempo finalmente esfrie
Pra retomar suas importantes brincadeiras.

Soneto

VIDA INTERIORANA
No correr lento dos minutos
Os velhos vivem conversando
Do tempo que foi-se andando,
Dos pássaros que não quietam mudos...

Falam dos meninos nas ruas,
Da chuva e suas essências,
Da vida da pobre Inocença,
Das mulheres que já foram suas.

Foram-se os tempos de criança
E os dias impregnaram-se de saudades
Nostálgicas da velha infância.

Mas as ruas são as mesmas
Onde os sinos ainda cantam
Tocando a vida interiorana.


Para meu avô

Soneto

POEMA DE MEUS MEDOS II [ou A velha Firinfiféia]
Velha Firinfiféia
Velha da boca torta
Alma de Dulcinéia
Do infernal tropel

Vestindo o negro véu
Das almas mortas
Negras velas acesas
Na beirada do céu

Doce alma penada
Da penosa morte
De Dulcinéia...

Corra pequeno
[Já ouço o chiado]
Que lá vem ela...

Soneto

POEMA DE MEUS MEDOS I [ou A menina da cerca]
Minha avó dizia
Para eu temer só os vivos
Mas este medo vadio
É próprio dos meninos.

Medo dos escuros
Pairando nas esquinas
Papa-figos e Papangus,
As almas na cozinha,

A velha D. Isabel
Que, já perto de morrer,
Via bruxas pairando no céu...

Mas eu mais temia era a alma
Da menina atropelada,
Na cerca do Mangueiral